27 de abril de 2012

A Ciência e As Questões Éticas

Mais um dos tempos de ensino médio. Fruto de uma parca discussão em sala de aula e de algumas leituras embasadas no deprimentemente mal-usado livro didático. Lançadas algumas assertivas para a escolha de cada aluno, desenvolveriam-se pensamentos que defendessem ou refutassem a afirmativa escolhida. Saiu isso aí.
___________________________________

           Os valores morais e sociais, influenciam as escolhas das pesquisas, sendo impossível a neutralidade.”


            Proposição:
A filosofia nasce da observação do mundo pelo homem, através da indagação, na formulação de questionamentos e suas proposições e respostas. Tais proposições e respostas são provindas do absorvimento da realidade através dos sentidos, seja ele na verificação e avaliação de experiência e pesquisa, seja ele na organização racional ou na simples suposição lógica. Mas a primeira constante observada é a seguinte, qualquer pesquisa ou experiência é influenciada pela individualidade conceitual do pesquisador, pois a visão de quem a realiza é desequilibrada, consciente ou inconscientemente, por suas experiências pessoais.

Tal concepção se completa no pensamento husserliano de que “não é possível explicar as coisas e seus fenômenos mediante construções formais e abstratas [mesmo que totalmente organizadas pela razão]. Não existe consciência pura, pois toda consciência é consciência de alguma coisa.” [1]; e numa releitura de J. Lacan, ainda, onde “a racionalidade não é algo objetivo e límpido, pois ela também é fruto da obscuridade do inconsciente.” [2]

Ampliando nosso olhar, o relativismo individual atribuído ao processo de uma pesquisa cientifica, assim como uma observação baseada na mera suposição, reflete-se num âmbito social. Na Idade Média, a Igreja Católica restringiu dominou o conhecimento, sua produção, distribuição e perpetuação. Esse é um exemplo de como a elite social tem o poder sobre a produção de conhecimento, cultura e tecnologia. No rompimento da filosofia com o dogmatismo clerical na época do Renascimento e Iluminismo, temos a síntese concreta do que Habermas exprime: a razão moderna é fruto da lógica instrumental herdada do pensamento empirista iniciado por Francis Bacon, quando a Ciência se torna meio de aquisição de domínio humano na natureza, ou seja, a prática científica se desenvolveu segundo as necessidades do homem no espaço-tempo o qual atravessou.

Em suma, o que posso propor é que a tecnologia é pragmática e a pesquisa científica como fonte de tal tecnologia é produto da necessidade de uma reação. Com esse olhar, “os valores morais e sociais, influenciam [sim] as escolhas das pesquisas, sendo impossível a neutralidade.”


[1] INCONTRI e BIGHETO, D. e A. C. Filosofia: construindo o pensar. São Paulo: Escala Educacional, 2008. p. 436.
[2] INCONTRI e BIGHETO, D. e A. C. Filosofia: construindo o pensar. São Paulo: Escala Educacional, 2008. p. 438.

Um comentário:

  1. Sempre filosofando... xD Eis o que vale na vida, a imagem e palavra, essencialmente palavra.. rs agora desce café nessa zona! kkk

    ResponderExcluir