8 de março de 2013

Comunicado

Desde meados do ano passado (2012), o presente blog está em hiato por tempo indeterminado, sendo que o autor se encontra em atividade em outra publicação: Conheço Mais Filmes que Pessoas.

Atenciosamente,

Renato Fragoso.

14 de junho de 2012

O preço da beleza

“Bem vinda à selva/ Assista ela te deixar de joelhos/ Eu quero ver você sangrar” é o que canta Axl Rose na poderosa Welcome to the Jungle, faixa que abre Apetite for Destruction (Geffen, 1987), famoso álbum de sua banda, Guns N’ Roses. No videoclipe da música, o cantor, em algumas cenas, está fixo, assistindo às imagens que surgem violentamente aleatórias nas telas das TVs de seu quarto e, em dado momento, aparece preso a uma cadeira, com outras inúmeras telas em sua frente, jorrando “informação”. A mídia, em princípio a publicitária, bombardeia o grande público com valores baseados no consumo em busca de metas inalcançáveis. Isso emprega às pessoas o dever de estar adequado a estes valores para ser digno, ser exemplar, ser feliz.

É em Desirella, curta de animação produzido em 2004 pelo Stone Age Scanners, que somos apresentados à história de uma mulher doente e velha que consegue juventude e sensualidade com um par de sapatos de salto-alto mágicos. Calçada neles ela está sempre linda, atraindo os olhares dos homens e as gentilezas de um mundo que cultua o corpo perfeito. Através disso, ela consegue se firmar como uma mulher poderosa e livre, tendo acesso a toda gama de prazeres da sociedade.

A todos os lugares que vai, calçada em seu salto-alto, a mulher retratada em Desirella está rodeada de propagandas que exaltam o visual. O crescimento massivo da mídia, a partir das décadas de 1970-80, como conseguinte, principalmente, o apelo hollywoodiano à cultura de consumo, voltada para a construção de padrões de beleza inalcançáveis, como já mencionado, é apontado como o pivô do progressivo aumento da busca pelo corpo “perfeito” do mundo em que vivemos hoje e, assim, aumento também da insatisfação de boa parte da sociedade.

Desde épocas primordiais, os conceitos de beleza regeram nossa civilização e, mais do que nunca, hoje vivemos uma época de culto à imagem, culto ao corpo. Isso pode ser o pretexto para levar pessoas a ter uma alimentação balanceada e a praticar esporte, mas também fazer com que se alimentem mal, procurem meios prejudiciais de melhorar sua estética, como o uso de esteróides, anabolizantes, cosméticos, e tratamentos que possam ser perigosos à saúde.

Entretanto, conceituar o que é belo não confere um resultado objetivo, já que a beleza é algo relativo e disso já se falou muito. Conceituar o perfeito também é vão, ao passo de que nada é tão ideal por ser tão humano, filosofias à parte. Em Desirella, a mulher, pelo uso indiscriminado e ininterrupto do salto, lesiona suas próprias pernas e, diante da dor, prefere entrar em torpor a tirar os sapatos (que, a esse ponto, já são parte dela).

“Se você a quer, você vai sangrar/ Este é o preço que você tem que pagar” e “Quando você está no alto, você nunca/ Nunca quer voltar pra baixo” é o que canta Axl, ainda em Welcome to the Jungle. Pobre mulher que, de seu auge de glamour e fama, desaba, pois aquilo que lhe conferiu beleza infalível cobra o preço de sua magia. Enquanto seu amuleto de sucesso a devora literalmente, observa sua imagem estampar as propagandas apologéticas que irão encantar outros tantos e levá-los, talvez, ao mesmo caminho.

Venerar a imagem discrimina as características que tornam cada pessoa única e desmerece o conteúdo que elas têm. Muito antes de preferir estar adequadamente belo, visualmente aceitável, deve-se preferir estar bem consigo mesmo, conhecendo suas próprias virtudes, exaltando (que se entenda celebrando) os próprios limites, pois somos muito mais humanos que deuses competindo num Olimpo de beleza.

Referências:
Guns N’ Roses, Appetite for Destruction (Geffen, EUA, 1987). Produção de Mike Clink; duração 53min 49seg; Universal Music Group.

TOMMASO, M. A. “A referência interna de beleza”; Dove - Artigos e Dicas; http://www.dove.com.br/pt/Universo-Dove/Artigos-e-Dicas/A-referencia-interna-de-beleza.aspx. Acesso em 10/06/2012. 
CAMARGO, O. “Mídia e o culto à beleza do corpo”; Brasil Escola; http://www.brasilescola.com/sociologia/a-influencia-midia-sobre-os-padroes-beleza.htm. Acesso em 10/06/2012.
Anexo:
Desirella (Stone Age Scanners, 2004) 

10 de junho de 2012

A mão que move o mundo

Até que ponto o que vemos é a realidade? Até que ponto a notícia a qual estamos nos deparando é objetiva e não apenas uma sombra daquilo que realmente é? Não só voltar às teorias filosóficas da Antiguidade sobre a verdade intocável, mas o ponto a ser tocado está mais no que os teóricos da comunicação norte-americanos do inicio do século XX chamavam de Teoria da Agulha Hipodérmica, a Bala Mágica que penetra a partir da mídia para dentro da cabeça da massa, violenta, sem dificuldades.

A realidade que se torna espetáculo e o espetáculo que se veste de realidade. Com ingredientes elaboradamente bem utilizados, a mídia dá viés hollywoodiano aos fatos da grande rotina social e ainda veste seus personagens nos ares de mocinhos e vilões (esses últimos podem acabar amargando a posição de inimigos de uma nação e de forma quase dogmática). É esse o campo explorado – com cautela – em O Quarto Poder (Mad City, EUA, 1997): a força que a mídia tem de influenciar os movimentos dentro da sociedade de acordo com lógicas próprias e a atitude de estrelismo e irresponsabilidade de seus profissionais, que ferem a ética em busca de um furo e de pontos de audiência.

Sam Bailey (John Travolta em sobrepeso) é um segurança de museu de uma cidade do interior norte-americano recém-demitido pela Mrs. Banks (Blythe Danner), manda-chuva do museu em questão, para corte de gastos. Revoltado, Sam resolve ter uma conversa séria com sua antiga patroa, levando uma arma e dinamites para que, segundo ele, “pudesse ser ouvido”. As coisas saem de controle e Sam faz Banks, uma professora e seus pequenos alunos de uma escola primária, visitantes ao museu, e um repórter em decadência – que estava no banheiro, conversando com seu pênis – de reféns. O repórter, Max Brackett (Dustin Hoffman, eterno Rain Man), que noticiava justamente os cortes na receita dos museus do Estado, vê a situação – ainda da porta do banheiro – como uma “matéria quente” que pode re-alavancar sua carreira e colocá-lo nos holofotes da mídia.

O filme mostra a cada investida de Brackett e de seus concorrentes como a figura da mão da mídia apontando as verdades que o público deve acreditar, culminando a batalha para persuadir a opinião geral acerca de um dos dois lados da história de Bailey: o vilão ou o coitado. Max faz furos ao vivo de dentro do museu, ao lado do aloprado sequestrador – que mostra como única motivação a fazer o que fez a preocupação em não ter como garantir a sobrevivência de sua mulher e filhos. De fora, tais concorrentes de Brackett mostram uma imagem perversa e criminosa de Sam, até mesmo forjando depoimentos e informações. Por desatenção, o ex-segurança fere o antigo companheiro negro de guarita, sendo maquiado, então, como delinquente racista. Na contracena, Brackett repreende sua companheira de equipe por socorrer o homem ferido, em vez de filmar sua agonia.

O diretor Costa-Gavras, que mais tarde, novamente, abordou o desespero causado pela perda de emprego em O Corte (Le Couperet, França, 2004), enche o filme de simbologias para além de uma leitura liminar. Desde um sapateador dançando na camada posterior do ângulo em que Brackett aparece reportando o silêncio e a fuga de um político suspeito de corrupção logo no início da história ao movimento de abutre-sobre-carniça que os repórteres faziam a cada pessoa que cruzava a porta do museu para fora. Pode-se qualificar a produção como metalinguisticamente hipócrita, mas de forma magistral, a hipocrisia que gratina os argumentos é a faca – talvez, assim, de dois gumes – que esburga, com a acidez da (auto)crítica, um universo à vistas perverso que é o do mundo midiático.

No prosseguir da trama, a imagem de Bailey, o protagonista do “circo” – palavra várias vezes metaforizada no filme – e único personagem não sucumbido à tentação da fama e do prestígio, e Max, tomado, por sua vez, de tal tentação, têm seu golpe de misericórdia: o primeiro com sua desastrosa entrevista exclusiva ao vivo para a TV aberta em horário nobre, com Larry King; e o segundo com a divulgação de gravações que o incriminam de compactuar com o  segurança delinquente (demérito de Max que tentou manipular a situação várias vezes para tornar sua notícia cada vez mais cinematográfica). É nessas cenas que coroa-se o mencionado quarto poder, quando Larry King promove um verdadeiro julgamento via tubo de íons. Como seu último passo, ainda (mais) aflito, Sam liberta as crianças e decide se entregar. Neste ponto Max já está compadecido do personagem de sua grande reportagem.

Vivemos, hoje, na era da imagem, na era da palavra e, da prensa de Gutenberg à internet num celular touchscreen, nos transformamos nos que compõem a plateia e a batuta, com toda liberdade que nos ata, nessa era de comunicações virtualmente “democráticas”, à necessidade de se estar sempre informado e, em princípio, de ter um rótulo mercadologicamente aceitável, preferível acima, até mesmo, da consistência e seriedade de conteúdo. E é aí que, com ingredientes elaboradamente bem utilizados, a mídia dá viés hollywoodiano aos fatos da grande rotina social e ainda veste seus personagens nos ares de mocinhos e vilões. Sam Bailey, por não suportar a pressão da indumentária vilanesca, desiste literalmente do jogo e Max Brackett, como um ápice metalinguístico, um paralelo de definição em relação à massa não-amorfa, mas alienante que se senta na frente da TV (e não só nas cenas do filme), sintetiza todo o argumento na frase: “Nós o matamos!”

Que seja hipócrita, O Quarto Poder reabre a eterna discussão, que ultrapassa a prisma que perquire a mídia: até que ponto o que vemos é a realidade? Até que ponto a notícia a qual estamos nos deparando é objetiva e não apenas uma sombra daquilo que realmente é? A resposta eu posso até tentar dar, mas poderia muito bem não ser a verdade, com certeza.

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Referências

-, -. “O Quarto Poder”; Adorocinema - adorocinema.com; http://www.adorocinema.com/filmes/filme-3852/. Acesso em 29/05/2012.
CARDOSO, C. E. Torres (Nugen). “O Quarto Poder”; Shvoong.com - A fonte global de Resumos e Críticas; http://pt.shvoong.com/entertainment/movies/1862802-quarto-poder/. Publicado em 24/01/2009. Acesso em 30/05/2012.
DANTON, Gian. "A Teoria Hipodérmica da Mídia"; Digestivo Cultural - Editora Perspectiva; http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=621&titulo=A_Teoria_Hipodermica_da_Midia. Postado em 19/07/2002. Acesso em 15/05/2012.
GRAVAS, Konstantinos. “Mad City”; EUA, Drama, 115 minutos, colorido, 1997. Produzido por Warner Bros Studios.
JUNGMANN, R. Magalhães. “’O Quarto Poder’ - Teoria Hipodérmica”; Webartigos - webartigos.com; http://objethos.wordpress.com/2009/11/04/resenha-o-quarto-poder/. Publicado em 21/09/2009. Acesso em 30/05/2012.

SARAIVA, Roberto. “Resenha: O Quarto Poder (1997)”; ObjETHOS - Observatório da Ética Jornalística; http://objethos.wordpress.com/2009/11/04/resenha-o-quarto-poder/. Publicado em 04/11/2009. Acesso em 30/05/2012.

18 de maio de 2012

Estou meio afastado de processos de criação e sem tempo pra procurar conteúdo pra publicar aqui, isso porque estou na equipe de um novo blog de conteúdo jornalístico-acadêmico que foi lançado na última quarta-feira, dia 16, o Coletiva Universitária. Inclusive, segue abaixo o link para apreciação de todos.


Me despeço, por ora.

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Coletiva Universitária - Seu novo canal de integração acadêmica.

3 de maio de 2012

Fotografia Conceitual e Artística

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A arte da fotografia
conceitual

Já ouviu falar de fotografia conceitual? Pois bem, é muito mais que captar apenas momentos que já estão lá prontos para serem fotografados. É o ato de captar mais que uma imagem, é captar um conceito ou significado que os olhos dispersos não consegueriam perceber, é ter pensamento aberto e abstrato para ser capaz de ver além da imagem. Este tipo de trabalho segue exatamente o velho ditado “Uma imagem vale mais que mil palavras“. (...)

[Mais no link do artigo.]





(Artigo por admin. "A Arte da Fotografia Conceitual"; Des1gn' On - des1gnon.com;  http://www.des1gnon.com/2012/01/a-arte-da-fotografia-conceitual/ . Atualizado em 24/01/2012. Acesso em 03/05/2012.)

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110 exemplos incríveis de 
fotografia conceitual

Ao contrário de outras artes visuais, a fotografia não é construída integralmente apenas pelo autor. A construção existe na seleção do assunto, dos elementos, na forma de manusear a câmera e de trabalhar, essencialmente, com a luz e em detalhes como o enquadramento e o post processing da imagem.

É muito difícil fazer que uma fotografia expresse um conceito maior que o elemento ou do assunto que foi fotografado, a menos que o autor tenha manipulado a foto ou tenha fotografado uma cena em um determinado ângulo que expressa uma determinada ideia. Este trabalho pode ser realizado através da construção fotográfica convencional, baseando-se em uma cena real e através do enquadramento, do post processing, manipulação e etc. para realçar determinados elementos ou através da manipulação deliberada dos mesmos.

Assim sendo, fotografia conceitual é uma técnica e uma modalidade que visa realçar a idéia da composição dos elementos fotografados e não dar ênfase somente em um determinado elemento da composição. Claro que para alcançar este efeito, alguns elementos precisam ganhar mais destaque do que outros, mas de modo geral, a idéia, o conceito, precisa prevalecer. São em grande maioria, fotos abstratas e/ou surreais e essa técnica é muito utilizada no campo de publicidade e marketing. (...)

[Algumas das 110 incríveis fotografias. Mais no link do artigo.]




(NISHI, Kazuhiro. "110 exemplos incríveis de fotografia conceitual"; Enfutilizados - enfutilizados.com; http://enfutilizados.com/2011/07/21/110-exemplos-incriveis-de-fotografia-conceitual/. Atualizado em 21/06/2011. Acesso em 03/05/2012.)


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Fotografia Conceitual - 36 Exemplos


Fotografia conceitual, como o próprio nome explica, é o gênero de fotografia onde o fotógrafo parte de uma situação pré-definida para transmitir uma idéia. Normalmente pelo conjunto dos elementos busca uma reflexão sobre o tema abordado.

Nesse tipo de fotografia artística existe todo um processo de produção visando atingir os objetivos inicialmente concebidos a partir de uma idéia, daí o “rótulo” conceitual. Algumas vezes, e nem tão comum, apenas uma adaptação para o rótulo.

O artista Sol LeWitt definiu a arte conceitual como:
Em arte conceptual, a idéia ou conceito é o aspecto mais importante da obra. Significa que todo o planejamento e decisões são tomadas antecipadamente, sendo a execução um assunto secundário. A ideia torna-se na máquina que origina a arte. (...)

[Mais no link do artigo.]




(NETTO, Miguel. "Fotografia Conceitual - 36 Exemplos"; Foto Digital Brasil - fotodigitalbrasil.com; http://fotodigitalbrasil.com/artigo/fotografia-conceitual-36-exemplos/. Atualizado em 13/04/2011. Acesso em 03/05/2012.)

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Wolfgang Tillmans 

tem sua primeira individual 

latino-americana no MAM

Um dos mais representativos fotógrafos da atualidade, 

alemão mostra possibilidade de organizar o caos


Imagens do cotidiano, da banalidade. Objetos e pessoas que são trazidos à visibilidade por um olhar mais atento que parece se perguntar o tempo todo se aquilo merece ser visto. Assim é o trabalho do fotógrafo alemão Wolfgang Tillmans, um dos mais representativos da atualidade e que abre hoje no MAM a sua primeira individual na América Latina.

A exposição, que vem da Serpentine Gallery, de Londres, ganha montagem e recorte exclusivos para a Grande Sala do museu pelas mãos do próprio artista, com obras que não estavam na versão anterior, caso de dois vídeos, e tem curadoria de Felipe Chaimovich, Julia Peyton-Jones, Hans Ulrich Obrist e Sophie O’Brien.

Na mostra ele apresenta sua visão do mundo contemporâneo, uma possibilidade de organizar o caos. Visões particulares de um mundo cada vez mais lotado de fotografias e obsessivo por imagens e que prefere o simulacro ao conhecimento.

Nascido em Remscheid, Alemanha, em 1968, ele começa a fotografar no fim dos anos 1980 e traz para suas criações técnicas das mais variadas, fotos, cartões-postais, imagens analógicas, ampliações em jato de tinta, xerox. Trabalha simultaneamente com vários processos, escolas estéticas e gêneros. “Não quero necessariamente o novo, mas quero mostrar o que o meu olho vê. Como eu vejo o mundo”, relata Wolfgang durante visita guiada por sua exposição ainda em montagem à qual o Estado teve acesso.


(PERSICHETTI, Simonetta. "Wolfgang Tillmans tem sua primeira individual latino-americana no MAM"; O Estadão, Cultura - estadao.com.br/cultura; http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,wolfgang-tillmans-tem-sua-primeira-individual-latino-americana-no-mam,zer,wolfgang-tillmans-tem-sua-primeira-individual-latino-americana-no-mam,853572,0.htm?reload=y. Publicado em 26/03/2012. Acesso em 03/05/2012.)


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Sol LeWitt


Sol LeWitt (Hartford, 9 de setembro de 1928 — Los Angeles, 8 de Abril de 2007) foi um artista estadunidense de arte minimalista.

Um dos principais protagonistas da arte minimalista, Sol Lewitt criou, nos anos 60, estruturas compostas de elementos cúbicos ou derivadas do cubo, em variações organizadas sobre uma grade. Eram volumes simples, que convidavam o espectador a reconstruir o retrato mental das variações possíveis de uma dada figura. Lewitt trabalhou, em seguida, com murais nos quais detalhou as relações entre concepção e percepção, superfície e volume. Enquanto análise dos princípios fundamentais do desenho, essas obras refletem a lógica das permutações e variações. A partir do final dos anos 70, o artista concentrou-se em seus "Desenhos Murais", cada qual concebido para um local específico e refletindo as lições que ele extraiu dos afrescos da Renascença italiana e do disegno. As cores tornaram-se mais dominantes nessas obras e as figuras isometria foram tratadas como formas tridimensionais achatadas. Desde o início de sua carreira, Sol Lewitt dedicou-se a mudar nossa compreensão das convenções pela alteração de nossos sentidos. (...)

(-, -. "Sol LeWitt"; Wikipédia, a enciclopédia livre - pt.wikipedia.org; http://pt.wikipedia.org/wiki/Sol_LeWitt. Atualizado em 26/02/2012. Acesso em 03/05/2012.)




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Man Ray -
Fotografia artística:
Surrealismo-dadaísmo


Emmanuel Radnitzky, conhecido como Man Ray, nasceu na Filadélfia, dia 27 de agosto de 1890. Foi fotógrafo, pintor e ativista do anarquismo. No ano de 1915 conhece o pintor francês Marcel Duchamp, com quem funda o grupo Dada Nova-Iorquino, (...). Em 1921, entrou em contato com o movimento surrealista na pintura. A partir das experiências nesses campos, desenvolve uma fotografia altamente prolífera e expressiva.

"Dadaísmo é um movimento anti-arte surgido na Suiça em 1916. Esta palavra, não tem um significado exato, por isso mesmo, foi escolhida como nome do grupo. Quando se diz que Dada é um movimento anti-arte, isto quer dizer que o Dadaísmo surgiu para destruir a noção de arte vinda do passado e propor a mais radical interrogação sobre o que é arte.
É importante dizer que em 1916 a Europa está em plena 1ª Guerra Mundial, e que estes artistas partiam do princípio de que a falsidade, a crueldade e a violência que tinham conduzido o mundo à destruição tinham, também, produzido uma arte falsa e que não havia, portanto, razões para poupar a destruição. Essa arte bela e falsa devia ser destruída. (...)
O Surrealismo, aparece na década seguinte, basicamente em 1925 e ele já não tem mais a idéia de destruição da arte como tinha o movimento Dadaísta. Mas descobre que em arte, a única realidade verdadeiramente importante é a pessoa, aquilo que chamamos conflitos interiores: a agressividade, os sonhos, os terrores, os desejos, os impulsos e outros sentimentos pessoais."  (1) 

Desenvolveu, dentro do dadaísmo, uma técnica de captura de imagens chamada raiografia ou fotograma. Fotografia que não usava câmera e produzia imagens abstratas através da exposição à luz dos objetos a serem fotografados previa e diretamente dispersos sobre o papel fotográfico. No cinema surrealista, produziu filmes com a técnica de solarização, a qual inverte e intensifica parcialmente certos tons de cor da fotografia. Financiava seus projetos com produções fotográficas nos gêneros de retrato e de moda.

"Em lugar de pintar pessoas, comecei a fotografá-las, e desisti de pintar retratos ou melhor, se pintava um retrato, não me interessava em ficar parecido. Finalmente conclui que não havia comparação entre as duas coisas, fotografia e pintura. Pinto o que não pode ser fotografado, algo surgido da imaginação, ou um sonho, ou um impulso do subconsciente. Fotografo as coisas que não quero pintar, coisas que já existem."
(Man Ray)







 (Artigo por JG. "Ray, Man - Fotografia Dadaísta-Surrealista"; O Século Prodigioso: A arte no século XX - oseculoprodigioso.blogspot.com.br; http://oseculoprodigioso.blogspot.com.br/2007/02/ray-man-fotografia-dadasta-surrealista.html. Atualizado em 11/02/2007. Acesso em 04/05/2012.)

(GUILLON, Pilar. "Man Ray: pintor, fotógrafo e um dos nomes mais conhecidos no mundo do surrealismo"; Beníssimo - Portal Terra - benissimo.com.br; http://www.benissimo.com.br/novosite/icones_de_estilo.asp?cod=24&tit=Man+Ray%3A+pintor%2C+fot%F3grafo+e+um+dos+nomes+mais+conhecidos+no+mundo+do+surrealismo. Atualizado em 22/04/2010. Acesso em 04/05/2012.)

(-, -. "Man Ray";  Wikipédia, a enciclopédia livre - pt.wikipedia.org; http://pt.wikipedia.org/wiki/Man_Ray. Atualizado em 28/03/2012. Acesso em 04/05/2012.)

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Dali - 

Fotografia surreal

"Salvador Domingo Felipe Jacinto Dali i Domènech, 1º Marquês de Dalí de Púbol (Figueres, 11 de Maio de 1904 — Figueres, 23 de Janeiro de 1989), conhecido apenas como Salvador Dalí, foi um importante pintor catalão, conhecido pelo seu trabalho surrealista. O trabalho de Dalí chama a atenção pela incrível combinação de imagens bizarras, oníricas, com excelente qualidade plástica. (...) Dalí foi influenciado pelos mestres do Renascimento. (...) O seu trabalho mais conhecido, A Persistência da Memória, foi concluído em 1931. Salvador Dalí teve também trabalhos artísticos no cinema, escultura, e fotografia."

Dali Atômico

"Dali Atómico é talvez a foto mais famosa do controverso pintor espanhol, tirada por Phillipe Halsman. Não se tratou de um acto isolado mas sim fruto de uma colaboração continuada entre os dois artistas iniciada em meados da década de 40' do século XX, quando o Surrealismo se encontrava no seu ponto mais alto. Este tipo de trabalhos não era inédito nem invulgar como pode à primeira vista parecer entre fotógrafos conceituados; Man Ray ou Dora Maar, por exemplo fizeram-no amiúde. Neste caso particular, conseguir este instantâneo não foi tarefa fácil.

Halsman não usou montagens nem qualquer tipo de truque; apenas encenação meticulosa, muita preparação, bastante paciência e numerosas tentativas falhadas. Após cada ensaio era necessário limpar a água derramada no chão, ir atrás dos gatos e acalmá-los; às vezes aconteciam acidentes e Dali apanhava literalmente um banho... Por fim, na 28ª sessão foi conseguido o efeito pretendido. A arte não é um acaso.

Há ainda In Voluptas Mors, uma composição artístico-macabra onde um grupo de mulheres nuas sobre um fundo negro dá forma a uma caveira perante o típico olhar alucinado de Dali, e Midsummer Night's Mare, um bailado espacial de figuras vestidas a rigor por entre pães, frutas e outros elementos comestíveis."
In Voluptas Mors
Midsummer Night's Mare



















(Artigo por seven. "Salvador Dali/ Phillipe Halsman: fotografia surrealista"; Obvious: um olhar mais demorado - obviousmag.org;  http://obviousmag.org/archives/2008/03/salvador_dali.html. Acesso em 04/05/2012.)

(-, -. "Salvador Dali"; Wikipédia, a enciclopédia livre - pt.wikipedia.org;  http://pt.wikipedia.org/wiki/Salvador_dali. Atualizado em 17/04/2012. Aceso em 04/05/2012.)

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O jardim barroco de 
David LaChapelle

O fotógrafo norte-americano começou a carreira trabalhando para ninguém menos do que Andy Warhol. Por 20 anos, retratou as maiores celebridades do mundo, mas cansou da vida entre as estrelas e, recentemente, decidiu investir nas flores. (...)

Para realizar suas naturezas-mortas, ele negociou com floriculturas e conseguiu reunir flores em um estágio intermediário de seu ciclo: nem tão frescas nem completamente murchas. Misturou aos arranjos folhagens artificias de seda e de plástico. E somou ainda às composições diversos objetos-símbolo do mundo de hoje: celulares, embalagens de vitaminas, comidas enlatadas, balões e brinquedos sexuais. As fotos, que em conjunto assumem um tom um tanto pesado, diferem muito do LaChapelle célebre, alegre, fútil de algum modo. Ao mesmo tempo, têm muito do fotógrafo também, pelas cores saturadas e pelo exagero, que esbarra no kitsch e provoca reações sempre extremadas. (...)

[Algumas das fotografias. Mais no link abaixo]



(KATO, Gisele. "O jardim barroco de David LaChapelle"; Revista Bravo! - bravonline.abril.com.br; http://bravonline.abril.com.br/materia/o-jardim-barroco-de-david-lachapelle#image=176-av-ens-4. Edição 176, atualizado em abril/2012. Acesso 04/05/2012.)

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Lomografia

Pouco de fala nos mercado fotográfico do assunto, mas nos bastidores já existem muitos seguidores e profissionais que usam da técnica e das máquinas para criar aquilo que podemos chamar tranquilamente de arte: a Lomografia.

Criada em 1982 vem fazendo cada vez mais seguidores e parece um mundo a parte do mundo fotográfico. Embora as técnicas sejam muito recente, não se rendeu a era digital.

A Lomografia é um fenômeno fotográfico que é produzido por uma câmera automática, de alta sensibilidade, capaz de registrar cor e movimento sem necessidade de flash e sem deformação. O processo consiste no recebimento contínuo de luz que é feito através do sistema de exposição automático, que chega a durar 30 segundos. Outro efeito, dependendo do modelo e da lente, é o olho de peixe, no qual a foto fica com uma moldura circular. O nome é uma referência ao modelo LOMO LC-A, uma câmera compacta da marca LOMO. A LOMO é baseada na Cosina CX-1 e começou a ser produzida a partir de 1980.

As lentes das máquinas Lomo são de plastico e produzem efeitos artisticos. As antigas talvez tivessem lentes melhores, mas longe de serem as melhores lentes do mundo.

Regras Básicas da Lomografia
Os lomógrafos convivem com um conjunto de dez regras básicas:
1. Leve a sua Lomo onde você for.
2. Fotografe a qualquer hora do dia ou da noite.
3. A Lomografia não interfere na sua vida, ela é parte dela.
4. Aproxime-se o mais possível do objeto a ser fotografado.
5. Não pense.
6. Seja rápido.
7. Você não precisa saber antes o que fotografou...
8. ...Nem depois.
9. Não fotografe com os olhos.
10. Não se preocupe com as regras
(...)

(Artigo por Case Editorial. "Lomografia"; Fotomania - fotomania.com.br;  http://www.revistafotomania.com.br/blog/item/14-lomografia. Atualizado em 22/10/2010. Acesso em 04/05/2012.)

Sites em português relacionados:
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E aqui vou terminando minha clipagem, minha pesquisa sobre fotografia artística, consciente de que existe muito mais a ser visto. Entretanto, essa publicação era para ser algo simples e resumido, uma introdução, uma base, tornou-se uma grande reunião que eu realmente espero que alguém tenha lido até aqui. O trabalho foi grande e agora vou partir pra prática, talvez minha próxima publicação.

Boa madrugada.

27 de abril de 2012

A Ciência e As Questões Éticas

Mais um dos tempos de ensino médio. Fruto de uma parca discussão em sala de aula e de algumas leituras embasadas no deprimentemente mal-usado livro didático. Lançadas algumas assertivas para a escolha de cada aluno, desenvolveriam-se pensamentos que defendessem ou refutassem a afirmativa escolhida. Saiu isso aí.
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           Os valores morais e sociais, influenciam as escolhas das pesquisas, sendo impossível a neutralidade.”


            Proposição:
A filosofia nasce da observação do mundo pelo homem, através da indagação, na formulação de questionamentos e suas proposições e respostas. Tais proposições e respostas são provindas do absorvimento da realidade através dos sentidos, seja ele na verificação e avaliação de experiência e pesquisa, seja ele na organização racional ou na simples suposição lógica. Mas a primeira constante observada é a seguinte, qualquer pesquisa ou experiência é influenciada pela individualidade conceitual do pesquisador, pois a visão de quem a realiza é desequilibrada, consciente ou inconscientemente, por suas experiências pessoais.

Tal concepção se completa no pensamento husserliano de que “não é possível explicar as coisas e seus fenômenos mediante construções formais e abstratas [mesmo que totalmente organizadas pela razão]. Não existe consciência pura, pois toda consciência é consciência de alguma coisa.” [1]; e numa releitura de J. Lacan, ainda, onde “a racionalidade não é algo objetivo e límpido, pois ela também é fruto da obscuridade do inconsciente.” [2]

Ampliando nosso olhar, o relativismo individual atribuído ao processo de uma pesquisa cientifica, assim como uma observação baseada na mera suposição, reflete-se num âmbito social. Na Idade Média, a Igreja Católica restringiu dominou o conhecimento, sua produção, distribuição e perpetuação. Esse é um exemplo de como a elite social tem o poder sobre a produção de conhecimento, cultura e tecnologia. No rompimento da filosofia com o dogmatismo clerical na época do Renascimento e Iluminismo, temos a síntese concreta do que Habermas exprime: a razão moderna é fruto da lógica instrumental herdada do pensamento empirista iniciado por Francis Bacon, quando a Ciência se torna meio de aquisição de domínio humano na natureza, ou seja, a prática científica se desenvolveu segundo as necessidades do homem no espaço-tempo o qual atravessou.

Em suma, o que posso propor é que a tecnologia é pragmática e a pesquisa científica como fonte de tal tecnologia é produto da necessidade de uma reação. Com esse olhar, “os valores morais e sociais, influenciam [sim] as escolhas das pesquisas, sendo impossível a neutralidade.”


[1] INCONTRI e BIGHETO, D. e A. C. Filosofia: construindo o pensar. São Paulo: Escala Educacional, 2008. p. 436.
[2] INCONTRI e BIGHETO, D. e A. C. Filosofia: construindo o pensar. São Paulo: Escala Educacional, 2008. p. 438.

24 de abril de 2012

Análise sobre Filosofia Moral & Ética

Texto que escrevi para uma questão do livro usado para as aulas de filosofia no 3º ano do ensino médio. Aulas tão parcas, mas tentei ser consistente. Achei interessante publicar para deixar - veja só - público e que talvez auxilie alguém. Sei lá, só publiquei, uma finalidade se encontra depois da necessidade. Que se aproveite o último texto da noite de hoje. A diagramação é a original da época em que produzie só quero ver quem vai ter cabeça pra ler um texto desse tamanho. Talvez só quando eu for famoso - nunca. Ou logo.

Aqueles beijos e abraços melosos de despedida.

Até a próxima.
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Questão:
                               A partir do trecho: “Vivemos em um momento em que as referências tradicionais desapareceram, em que não sabemos mais exatamente quais podem ser os fundamentos possíveis de uma teoria ética. O que é que, hoje, nos permite dizer que uma lei é justa? Nós o ignoramos. É num vazio absoluto que a ética contemporânea se cria...” (RUSS, Jacqueline. O pensamento ético contemporâneo. São Paulo: Paulus, 1999).
                               Indagar: como propor uma ética hoje?

                               A ideia de liberdade radical pregada na sociedade moderna contrasta com uma busca por uma ética universal e necessária. O primeiro ponto em que essa busca se macula é na realidade de que o indivíduo não é um ser universal. A partir do momento em que o homem, através de sua consciência de espaço-tempo, se desprende de um programa natural, presente em suma, por exemplo, na existência de um pé de feijão ou na de um protozoário qualquer, seu comportamento passa a ser um produto de seus impulsos naturais, dos conceitos de seu tempo e de sua civilização, de suas experiências pessoais e de sua própria razão. Tais variáveis anulam um resultado universal e objetivo para a equação.

                               Este relativismo pode explicar, mas não dar cabo da questão. Para propor um comportamento ético para o hoje, é necessário em gênese conceituar a ética. Em Sócrates, é possível perceber que a imagem do ser ético contém-se na busca pela felicidade e realização, sendo esta no plano individual e na sua comunidade. Mas como realizar-se dentro da sociedade? Sócrates, Platão e Aristóteles sintetizam a realização do homem no exercício do conhecimento e dos deveres em sociedade, deveres esses expressos, juntamente ao plano tomista, na justiça (dar a cada um o que é devido), a temperança (moderação dos apetites), a coragem (capacidade de enfrentar os riscos e perigos controlando o medo), e a prudência (discernimento do justo e do injusto, do bem e do mal).

                               Objetivar metas para a ação homem em comunidade, entretanto, ainda soa tendencioso, vendo-se que os valores de justiça, temperança, coragem e prudência, apesar de uma roupagem perfeita, são obras do senso de cada um, estão dispostas ao discernimento individual. Espinosa ataca a temperança como um parasita capaz de atar as ações da paixão e do impulso humano. A prisão que se cria no sistema baseado nesse valor socrático-tomista pode ferir contra o instinto humano mais essencial, segundo Espinosa, o da autopreservação. Esse instinto dá à luz um sentimento de egoísmo, não bélico e agressivo como na pregação de Nietzsche, mas que procura manter a existência. Esse é o sentido básico e primário de qualquer vida, seja a de um humano como Espinosa ou Obama, seja a de um pé de feijão ou a de um protozoário qualquer.

                               Charada: qual a diferença entre o ser humano, o pé de feijão e o protozoário qualquer? Antes de uma resposta aristotélica, organizando os conceitos de cada ponto da charada em gavetas como no romance da história da filosofia de Gaarder, podemos ter uma resposta enfocada no contexto em questão presente no pensamento kantiano: o que diferencia a existência humana de qualquer outra no mundo é a razão, a capacidade de raciocinar. Ao contrário de Espinosa e até mesmo de Rousseau, a ética e as virtudes do homem não estão no interior do seu ser, num confim apenas alcançado pela busca, exercício e fé na divindade interior humana. O comportamento é autônomo e, desprendido de um programa natural, segue uma lei própria, irrompida na consciência. Mas nem Kant, nem Espinosa se mostram evidentes e nem completamente refutáveis. A união entre a razão e a emoção é a base para o comportamento e as duas coisas são natas do ser humano. O prazer ou o desprazer que sentimos em determinada ação imprime o valor que damos à tal. Um dia aprendemos que colocar a mão no fogo queima e é muito provável que não voltemos a fazer isso propositalmente.

                               A questão do prazer e do desprazer na relação com o comportamento humano não fecha um sistema ético. David Hume em seu projeto ético-filosófico relaciona o sentimento moral com a sensação de prazer e ou de dor, mas sua ideia de utilitarismo sensual, superficialmente, esbarra na problemática do prazer imediato. Um indivíduo prova da prática sexual e pode sentir prazer, além disso, é influenciado por sua natureza a fazê-lo, esse prazer pode, contudo, tornar o indivíduo escravo de um vício sexual apoiado, inclusive, por sua biologia. Outro exemplo de refutação ao projeto de prazer e dor vem de um fenômeno social muito hodierno, o roubo. A prática do furto pode trazer um sentimento de prazer a quem rouba quando este percebe a facilidade com que pode obter as coisas a partir apenas de movimentos ágeis e discretos. Quanto à dor ou a antipatia – em sobrepeso à simpatia ainda de Hume – também abala o sistema do utilitarismo no que podemos, novamente nos dias atuais, notar, por exemplo, no hábito de jogar ou não lixo nas ruas ou de dirigir ou não embriagado. Ao primeiro, em sua negação, é possível remeter preguiça, ao segundo, retornamos à ideia de prazer. Hume aborda um ponto, porém, muito interessante: o dever de se pensar no que é diretamente útil para as pessoas. E aqui, unimos na foto John Stuart Mill, que nos diz que a ação deve gerar o bem da maioria.


                O homem deve construir seu plano ético através do seu autoconhecimento, tirando de seus impulsos e apetites suas metas dentro de uma sociedade e, nessa consciência de sociedade, usar de sua razão para deduzir o que seria bom para si e para sua comunidade. Somos seres racionais, mas ainda somos animais. Um enxame de abelhas possui suas divisões comunais, cada abelha tem seu papel dentro de seu grupo, no entanto esse papel é programado natural e instintivamente desde seu nascimento. Como já foi dito, o homem está desatado desse sistema por sua capacidade de escolha. Resumidamente, o plano ético entra aí, no que indagamos sobre os grifos: manter a existência e gerar o bem da maioria.

Estante da Sala

Era uma quarta-feira e a professora de Leitura e Produção pediu que escrevêssemos um depoimento que contasse como era nosso relacionamento com os livros, a palavra, a leitura em si e que ilustrássemos, assim, nossa opinião sobre o Brasil de leitura que vivemos. Acho que é isso mesmo. E da minha infecta cabeça, em tons alaranjados, surgiu a crônica abaixo.
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Estante da Sala

O cheiro doce, particularmente, daqueles livros antigos de biblioteca, capa gasta, folhas pálidas, exalaram desde cedo. No guarda-roupa da minha mãe, títulos românticos, clássicos revezavam-se e eu, vez por outra, pedia que me contasse a história. Noutras manhãs cinzas de uma São Paulo nostálgica, eu e minha irmã cruzávamos uma parte do bairro até uma biblioteca pública, aquela de onde vinham os livros antigos de cheiro doce, pálidos.


A sede, então, semeada, fez raízes tão sólidas e compulsivas que até hoje me fazem pular de título em título sem que eu possa, ao menos, terminar o primeiro, ou me prendem aos dois simultaneamente.


Sede semeada, de raízes tão sólidas que me levaram, muito além de (querer) ler, (querer) escrever. Compulsivo, então. E esse paralelo se multiplicou, me tornando um apaixonado por arte, que parece não ser difícil perceber. Qualquer atividade textual, produtiva ou crítica, ela queria me ouvir, queria me ler, como se isso elevasse sua auto-condição de professora.


E nesse prisma, nesse ambiente, respirado esse ar, sinceramente não entendo como pessoas não enxerguem a beleza nas páginas dos livros ou na ponta de uma caneta. Muito mais que um problema (de som clichê) do poder público, de braços cruzados à educação e à cultura, não ler e não escrever é uma prisão pra alma e pra mente, trancada pelo próprio prisioneiro, esse brasileiro não-leitor.


PS.: Lamento o tempo parco, o porquê de poucas linhas.